Dinheirudo, se segura no sofá. Enquanto você dormia, descansava no seu fim de semana. Saiu uma notícia sobre o governo trabalhando naquilo que ele mais é eficiente em fazer: aumentar impostos. E não é coisa pouca: mil produtos tiveram impostos aumentados na surdina, no contrapé. Incluindo smartphones, sim, agora você vai pagar mais caro.

Vamos entender tudo isso. E até onde vai essa história.
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O Brasil mexeu no Imposto de Importação de uma lista gigante, coisa de mais de mil itens!
E não é só o “andar de cima” que vai pagar a conta não. Vai todo mundo perder. É a economia inteira, porque entra máquina de indústria, tecnologia de hospital, infraestrutura, energia, logística.
Olha só o que pode cair no seu colo aí:

De injeção eletrônica de fusca a carburador de foguete. Tem de tudo:portão de condomínio, TV, eletros e pasme: impactos até na saúde, como manutenção de equipamentos médicos (que, claro, tendem a ser repassados a você) e até exames médicos!
E é aí que mora o perigo, porque é o seu dinheiro que está no jogo. tem imposto que encarece consumo,que encarece o motor da economia, que é o investimento e a produtividade.
Eu até tentei tirar o zoom da tela aqui pra fazer o print de todos os produtos que vão ter o imposto aumentado, mas duvido que você consiga ler por aí.

Tem pra todos desgostos. De cartucho de tinta a até seu android, seu iphone.
E o mais curioso é o timing da coisa. A gente falou muito aqui das tarifas do laranjão, lembra? Agora teve uma reviravolta: decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos dizendo que o tarifaço do Trump extrapolou autoridade.

E aí fica a questão, será que os Estates vão devolver o dinheiro das tarifas para os importadores? Eu diria que é altamente improvável, imagina o tamanho do rombo se isso acontecer?
Sabe quem caiu ainda mais depois dessa questão dos Estados Unidos?

Sim, o Bitcoin. Só em 2026 o prejuízo é de 27%.

É curioso porque o BTC é justamente o antídoto contra essas sanhas arrecadatórias que destroem o seu dinheiro. Será que isso continua sendo verdade?
Eu creio que sim, mas no longo prazo.

Mesmo com a queda, em 5 anos o BTC ainda teria ganhado do CDI, em azul, aqui no gráfico do site investidor10.
Então, quedas como essa são oportunidades muito interessantes pra você ir comprando um pouco de btc todo mês, se o seu perfil comporta, claro.
Se você me disser que é difícil, olha, eu provo pra você que é a coisa mais fácil do mundo em 10 segundos.
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Mas vamos voltar. Enquanto isso, aqui no brasa, o governo puxou a carta do protecionismo e diz que é para “reindustrializar”, “proteger soberania tecnológica” e impedir que a cadeia produtiva “colapse”. No papel, é sempre o “veja como isso é bom pra você” . Na prática, pode virar um tiro no pé.
Vamos ao fato. A mudança foi formalizada no Gecex, com a Resolução 852.

Dentro dela, tem coisa do dia a dia e tem coisa altamente estratégica. Smartphone tá lá, literalmente com a descrição “telefones inteligentes”, e entrou com alíquota de vinte por cento.
Um fato curioso: vigência a partir de seis de fevereiro de dois mil e vinte e seis. Sim, meus amigos, a notícia do g1 é desse fim de semana, mas tá bemmm atrasada.

E não foi só “aumentou um pouquinho”. A própria nota técnica do Ministério da Fazenda detalha o desenho do realinhamento em faixas, concentrando alíquotas em três degraus principais, sete por cento, doze vírgula seis e vinte por cento, mantendo algumas exceções já existentes e criando exceção para itens específicos ligados a data centers, por exemplo.
A maior parte entrou em vigor em seis de fevereiro, e outra, passa a valer em primeiro de março. Ou seja, tem um impacto imediato e outro que chega com atraso, pegando quem estava planejando importação com base no custo antigo.
A nota técnica da Fazenda fala que as importações nesses grupos cresceram trinta e três vírgula quatro por cento acumulado desde 2022.
E o dado que o governo mais usa como argumento é a “penetração” no consumo nacional em bens de capital em bens de informática e telecom.
A frase é pesada: esses níveis ameaçam colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressão produtiva e tecnológica difícil de reverter.
Até aí, parece uma narrativa de “defesa”. Só que aqui começa o problema,: bens de capital são as máquinas e equipamentos que aumentam a produtividade.
Você concorda que se você encarece a máquina, você encarece a modernização do país? Você joga contra o crescimento de produtividade, que já é uma um problemaço por aqui.
Quando acabar a escala 6X1, aí a gente vai ser mais produtivo né? Não, péra. Dá uma olhada nesse vídeo depois./
O próprio Banco Mundial diz que aumentos de tarifas tendem a vir seguidos de queda de produtividade no médio prazo, e podem piorar desemprego e desigualdade, porque você aumenta o custo, reduz o investimento e distorce a alocação de recursos.
Quem é raiz como a gente lembra de como eram os produtos nacionais, carro e computador (lei da informática), antes do collor abrir o mercado. Uma verdadadeira porcaria, carroça como dizia o collor.


O ideal seria mesmo dar incentivos para que as empresas viessem a produzir aqui. Aí eu te pergunto: aqui é um bom lugar mesmo para os caras terem lucro? Com esse tanto de imposto, de insegurança jurídica, risco trabalhista?
Ou seja, como no caso mesmo da indústria automotiva. Pobre não pode comprar carro barato, em nome da indústria nacional. Que é justasmente meia dúzia de gato pingado que tem a coragem de vir aqui pro brasil.
E pensa também no detalhe que um importador falou e que faz todo sentido: o Brasil tem muito equipamento velho rodando, muito parque industrial com mais de vinte anos, remendado, modernizado do jeito que dá.
Se a indústria nacional de bens de capital não consegue atender plenamente a demanda interna, subir imposto vira uma barreira pra comprar justamente o que faria a empresa produzir melhor, gastar menos energia, cometer menos erro, competir lá fora.
E aí o país pode ficar preso numa armadilha: protege uma indústria local que não entrega o que o mercado precisa, e ao mesmo tempo impede que o resto da economia compre a ferramenta para evoluir.
O segundo problema é a inflação, só que do jeitinho brasileiro de fazer: empurrar pra frente. Depois a gente vê. O governo diz que o efeito no IPCA deve ser indireto, baixo e defasado, porque boa parte são bens de produção.
E isso pode ser verdade no curto prazo, porque nem todo custo vira preço imediatamente.
Tem estoque, tem contrato, tem empresa que segura margem, e o repasse para preços, seja de câmbio ou de custo externo. Até quando dá, né?
Quando encarece máquina, manutenção, exame, encarece projeto, encarece tudo o que depende de equipamento e peça importada. E aí a inflação aparece pingando por meses, e quando você vê, está no serviço e não no produto da vitrine.
Não a toa, o IPCA está baixo para níveis brasileiros, mas a inflação de serviços é o calcanhar de aquiles.

A OCDE resume isso de forma bem direta: tarifas elevam custo de comércio, sobem o preço do importado final e também do insumo e do intermediário para empresas, e o impacto em crescimento vai aparecer lá na frente.
Ou seja, mesmo quando o governo jura que está “protegendo”, ele está assumindo um risco de encarecer a economia por dentro.
Imagina o risco do importador. Tem que refazer planejamento, rever preço final e, em alguns casos, renegociar contratos em andamento. Isso se chama Custo Brasil, meu amigo. É custo escondido. Custo de advogado, custo de despachante, custo de atraso, custo de projeto parado.
Agora vamos voltar para o seu bolso, porque é por isso que você é inscrito aqui no canal. Celular vai ficar mais caro amanhã? Provavelmente não amanhã. O preço não muda na hora que sai a resolução, porque tem estoque no varejo, tem importação que já entrou, tem contrato fechado, tem dólar variando.
Mas a direção do vento é clara: em algum momento, quando o estoque mais barato acabar, é quando vem o grosso. O custo novo entra.
E como smartphone agora está explicitamente na lista com alíquota de vinte por cento, a margem para segurar isso é bastante limitada. Algumas marcas seguram um tempo, outras repassam antes. E tem outro detalhe: quando encarece o importado, muitas vezes encarece também o “nacional”, porque o nacional usa componente importado, ou porque o concorrente ficou mais caro e dá espaço para subir preço.
O governo tenta vender a ideia de que isso é “moderado e focalizado”. Só que os próprios números da nota técnica mostram um movimento bem grande em volume, abrangência e lógica estratégica.
Também dizem que isso está alinhado com o que outros países fazem. Mais ou menos, né? Comparando os emergentes como a gente, somos mais fechados.

O ponto crítico aqui é que tarifa é uma marreta muito dura. Até funciona quando você tem um plano claro de como a indústria local vai suprir, e quando você tem metas e cobrança. Sem isso, é apenas encarecimento generalizado com discurso bonito.
Se você encarece a importação, aparece uma tentação muito perigosa: trocar equipamento bom e mais caro por equipamento mais barato e pior, só para caber no orçamento depois do imposto. A economia “parece” que está investindo, mas está investindo pior. Isso destrói produtividade no longo prazo.
Uma coisa é fato: quando você aumenta barreira para tecnologia e máquina, você está mexendo no ritmo de adoção tecnológica. E a história do mundo mostra que quem fica para trás nisso paga com crescimento mais baixo e salário real mais fraco.
O protecionismo pode gerar efeitos nocivos e como política comercial precisa de reforma mais ampla, não só tarifa para cima.
Eu entendo o lado do produtor local: pra que ser besta de produzir aqui algo que é importado e mais barato? Mas também fica a questão: o governo deveria proibir o direito das pessoas terem acesso a produtos mais baratos, a terem seu salário valorizado?
Não seria mais inteligente dar incentivos pra quem produz aqui, fazer pagar menos imposto quem gera emprego aqui?
Será que isso vai ajudar o Brasil a ficar mais competitivo, ou só vai dar um respiro artificial para alguns setores? Enquanto o resto da economia paga a conta?
