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A COPA VAI ESVAZIAR O SEU BOLSO (E VOCÊ NEM PERCEBEU)

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A COPA COMEÇOU E O SEU BOLSO ENTROU EM CAMPO

Começou a Copa do Mundo. E junto com ela começa um fenômeno que se repete de quatro em quatro anos: a gente curte, assiste um futebolzinho, que ninguém é de ferro. 

Mas também gastamos mais, produzimos menos e empurramos os planos pra depois.

Quase 100 milhões de brasileiros vão comprar mais por causa da copa. É mole?

Nesse vídeo a gente vai entender o que o ano de Copa faz com o seu consumo, quem ganha dinheiro de verdade com essa festa e como você curte os jogos sem entregar o orçamento de bandeja.

Pra valer o seu like e a sua inscrição aqui no canal.

O PAÍS QUE PARA DE QUATRO EM QUATRO ANOS

Antes que você diga, sim,  eu vou ver os jogos, sim. Inclusive vou assistir Colômbia contra Uzbequistão ao vivo, lá no México. De repente você me vê na transmissão, vai falar: ah lá, falou mal da copa.

Se quiser acompanhar a presepada., vai no insta @dinheirocomvoce depois. 

Mas torcer pra seleção e cuidar do dinheiro cabem na mesma pessoa. Eu te provo isso até o fim do vídeo.

Pensa comigo. Em qual outro evento o comércio fecha mais cedo, a firma libera o pessoal, o bar lota numa quarta-feira à tarde e ninguém acha estranho?

Só na Copa. Nem o Natal consegue fazer isso no meio da semana.

Eu cresci vendo isso acontecer. Cidade inteira tinha rua pintada. Se você resolvesse andar de carro ou a pé, parecia cidade fantasma, igual na pandemia.

E no dia seguinte, claro, todo mundo com a voz rouca no trabalho. Isso faz parte de quem a gente é, e eu não quero que mude. Futebol é muito mais que esporte. Inclusive me une com meu pai, meu irmão, e meus filhos.

Só que tudo na vida tem dois lados. Essa pausa coletiva tem um preço, e ele aparece em dois lugares: na produção do país e no bolso de cada família. Vamos olhar os dois.

A Copa desse ano vai de 11 de junho a 19 de julho, nos Estados Unidos, no Canadá e no México. São 48 seleções e 104 jogos. A maior Copa da história.

O Brasil caiu no grupo C e estreia sábado, dia 13, contra o Marrocos, às 19 horas de Brasília. 

Depois pega o Haiti na sexta, dia 19, à noite, e fecha a fase de grupos contra a Escócia no dia 24.

Repara num detalhe: estreia no sábado e segundo jogo numa sexta à noite. Pelo menos no começo, ninguém vai precisar matar o expediente pra torcer. Para a tristeza do trabalhador afegão brasileiro.

São mais de cinco semanas de futebol. Cinco semanas de pinga, churrasco e foguete. Bolão da firma e camisa nova também. E é exatamente aí que o seu bolso entra em campo.

O BRASILEIRO VAI ÀS COMPRAS

Olha esse número. Quase 100 milhões de consumidores pretendem gastar com a Copa desse ano. Isso dá 60% dos consumidores do país.

O gasto médio previsto é de R$ 619 por pessoa. Nas classes A e B, sobe pra R$ 784.

Seiscentos e poucos reais parece pouco? Então faz a conta da casa inteira. Um casal com dois filhos nessa média já passa de R$ 2.400. Numa família só.

E o que o brasileiro vai comprar? Bebida, petisco, carne de churrasco e cerveja lideram a lista. Seis em cada dez querem camisa nova, oficial ou temática. E ainda tem bandeira, as malditas cornetas e decoração pra casa.

Tem outro dado dessa pesquisa que explica muita coisa: 97% dos brasileiros vão assistir aos jogos em grupo, a maioria com a família e com os amigos. Já que é pra sofrer, que a gente chore junto né?

Haja fé naquela zaga, concorda comigo ou nem? Vai mandando aqui nos comentários pra gente ver como tá sua confiança na seleção.

E consumo em grupo é diferente de consumo sozinho. No grupo, você compra a carne a mais, a cerveja a mais, a camisa nova pra não ser o único de com camiseta de vereador da turma. 

É, meu amigo, a pressão social faz o orçamento trabalhar contra você sem que ninguém perceba.

Os lojistas chamam a Copa de segundo Natal do comércio. Faz sentido. 

Só que o troço azeda ainda mais o lado do educador financeiro que vos fala.

A mesma pesquisa mostra que 41% dos consumidores pretendem apostar em bets, nessa desgraça que eu falei aqui em cima e até dou palestras contra elas, durante o torneio. Quatro em cada dez brasileiros. Guarda esse número, porque a gente volta nele daqui a pouco.

MAS A COPA É BOA PRA ECONOMIA?

Agora vem a pergunta do título. Toda essa movimentação é boa pro Brasil?

Pra alguns setores, é excelente. A consultoria NielsenIQ projeta aumento de 15% a 20% na venda de televisores no país por causa da Copa. 

E o Polo Industrial de Manaus produziu 2,3 milhões de TVs só nos dois primeiros meses do ano.

Nos bares e restaurantes, levantamento da Abrasel mostra que metade dos estabelecimentos vai transmitir os jogos. Desses, 80% esperam faturar mais nos dias de partida, e a maioria projeta alta de até 20%. Nas cervejarias e choperias, a adesão chega a 85%.

E o setor lembra que junho já era um mês forte por causa do Dia dos Namorados e das festas juninas. A Copa entrou por cima de um calendário que já empurrava todo mundo pra rua.

Então sim, tem gente ganhando dinheiro de verdade com a Copa. Fabricante de TV, bar, cervejaria, loja de artigo esportivo. Emprego e faturamento de verdade, em setores bem específicos.

Mas e quando você olha o país inteiro? Alguém tem que pagar a conta, né, meu amigo?

O Goldman Sachs analisou o PIB de todos os países que sediaram Copa desde 1982. A conclusão foi direta: o efeito sobre a economia do país-sede é marginal, sem relevância estatística. E o efeito de longo prazo é praticamente zero.

O motivo é simples: boa parte do dinheiro gasto na Copa seria gasto de qualquer jeito, só mudaria de lugar. A cerveja do jogo substitui a cerveja do churrasco que aconteceria mesmo sem Copa.

E olha que essa análise vale pra quem sedia o evento. O Brasil nem sede é dessa vez. A gente só assiste, torce e consome.

Mas o banco Safra avaliou que os primeiros jogos do Brasil caem à noite ou no fim de semana, o que reduz a perda de produtividade nas empresas, e que esse efeito tende a se diluir ao longo do trimestre.

Ou seja, aquele caos de produtividade que sempre anunciam pode ser menor dessa vez. Dado honesto também vale o seu like.

Por outro lado, uma pesquisa da UKG estimou que essa Copa pode custar US$ 17 bilhões em produtividade perdida pros empregadores do mundo todo. Dos trabalhadores entrevistados, 37% pretendem mudar a rotina por causa dos jogos, e 27% admitem que vão chegar atrasados, sair mais cedo ou simplesmente faltar.

Detalhe importante: essa pesquisa ouviu trabalhadores de oito países, e o Brasil nem estava na lista. Se lá fora o efeito é esse, imagina aqui, onde jogo da seleção esvazia a rua.

E O TAL DO 13º COM AS FÉRIAS?

Aa Copa do Catar, que aconteceu em novembro e dezembro, veio juntinha do 13º e das festas de fim de ano. Aquilo sim foi o bonde do consumo sem freio.

A Copa desse ano é agora, em junho e julho. A segunda parcela do 13º só cai lá em novembro e dezembro. Então, pela regra geral, esse dinheiro extra ainda nem está na sua conta.

Só que existe um detalhe na lei. A Lei 4.749, lá de 1965, garante ao trabalhador receber a primeira parcela do 13º junto com as férias, desde que ele tenha pedido por escrito em janeiro.

Quem pediu e marcou férias pra junho ou julho, justamente pra ver a Copa, está agora com dinheiro extra na conta e clima de festa na rua. Combinação perfeita pro consumo por impulso.

E mesmo quem não antecipou nada tem outro combo no calendário: férias escolares de julho, festa junina, Dia dos Namorados no dia 12 e jogo praticamente todo dia durante um mês inteiro.

Clima de festa com dinheiro na mão é a receita clássica do gasto sem plano. E gasto sem plano em cima de orçamento apertado é onde a coisa desanda de vez.

ONDE MORA O PERIGO DE VERDADE

Agora olha esse cruzamento de dados, porque ele é o coração desse vídeo.

A mesma pesquisa da CNDL que contou os cem milhões de consumidores revelou o seguinte: 61% das pessoas que pretendem gastar na Copa já têm dívida em atraso. E dentro desse grupo, 70% estão com o nome sujo. Sem contar a desgraça, quase metade apostando em Bet.

Alguém tem que falar sobre esse elefante na sala. Os que pretendem apostar durante o torneio. Na Copa passada isso era bem pouco. Hoje é quase a metade de quem vai gastar com algo na copa tá com aplicativo de aposta instalado e jogo na tela o dia inteiro.

Aposta é despesa com emoção embutida. Que às vezes o mais barato que fica pra você é seu dinheiro. Eu fiz o vídeo, tá aqui em cima, e uma menina veio falar comigo depois, que sua irmã tinha tirado a vida por conta de dívidas disso. É desesperador, inclusive de a gente ver gente famosa, que não precisa de dinheiro, te empurrando isso goela abaixo.

Da minha parte, você tem o meu compromisso que eu nunca vou aceitar patrocínio de Bet, nunca vou te empurrar nenhum produto que eu acho furada.

Para você que quer se aventurar e perder dinheiro, até o bolão da firma é melhor do que isso. Pelo menos não te vicia e tem só agora isso.

Mas voltando. a pessoa está devendo, está negativada, e mesmo assim planeja gastar com a festa. Eu entendo o lado humano disso. A Copa é coletiva, o churrasco é com a família, e dizer não pro convite da estreia é duríssimo.

Mas o pano de fundo é o pior possível. 

A pesquisa da CNC mostrou que 80,2% das famílias brasileiras estavam endividadas em fevereiro. Recorde de toda a série histórica, que começou em 2010. Em março, subiu de novo: 80,4%.

E quase 30% das famílias estão com conta atrasada. 

Nas famílias que ganham até três salários mínimos, esse número passa de 38%. Ou seja, justamente quem tem menos folga no orçamento é quem está mais apertado na largada dessa Copa.

Oito em cada dez famílias devendo, com a Selic em 14,5% ao ano e o crédito mais caro em quase vinte anos. O governo arrecada, o banco lucra com os juros, e a conta da festa sobra pra você.

Pega os R$ 619 do gasto médio. Se em vez de pagar à vista você joga esse valor no rotativo do cartão, a juros de 428% ao ano, que foi a taxa registrada pelo Banco Central em março, em doze meses essa dívida passaria de R$ 3.200.

O churrasco da estreia vira o preço de uma TV de 65 polegadas. Só que em prejuízo.

Agora inverte o jogo. Os mesmos R$ 619 aplicados num investimento simples atrelado à Selic, com a taxa nesse patamar de 14,5%, praticamente dobram em cinco anos. A família que gastaria R$ 2.400 nessa Copa chegaria na abertura da próxima, em 2030, com mais de R$ 4.100 na conta.

O mesmo dinheiro, com dois destinos completamente diferentes.

COMO BLINDAR O ORÇAMENTO SEM PERDER A FESTA

Beleza, mas como festar, mas não perder a mão do dinheiro?

Primeira coisa: define hoje quanto a Copa pode custar pra você. Um valor fechado, em reais, pro torneio inteiro. Churrasco, bar, camisa, tudo dentro desse teto. Acabou o valor, acabou o gasto extra. Imagina o Brasil saindo da copa e você tendo que pagar a conta até o ano que vem? Ou em dívidas? Bate na madeira aí. E planeja as coisas, sempre.

Segunda: paga à vista. A própria pesquisa da CNDL mostra que 90% dos torcedores pretendem comprar à vista, e 57% vão de Pix. Fica nesse time. Parcela de Copa tem mania de chegar junto com o material escolar e o IPVA do ano que vem.

Terceira: se você antecipou o 13º com as férias, lembra que esse dinheiro não cai de novo em novembro. Separa primeiro as contas de fim de ano, e só o que sobrar entra na festa. O seu eu de dezembro agradece.

Quarta: churrasco em grupo, conta em grupo. Cada um leva uma coisa. Sai mais barato pra todo mundo e ninguém banca a Copa sozinho. Nada de levar cerveja Krill e beber Heineken não, hein?

Quinta: a sua TV atual mostra os mesmos 104 jogos que a TV nova da loja. Se ela funciona, segura a troca. E se for trocar mesmo, pede desconto à vista em vez de parcelar em doze vezes.

Sexta: e essa é a minha preferida, olha essa dica de copa do mundo que cuida do seu bolso: cria o seu bolão alternativo. A cada jogo do Brasil, em vez de aumentar a aposta, você investe um valor dentro das suas possibilidades num Tesouro Selic ou num CDB. Pode ser pouco, digamos, cem reais. 

Se o Brasil chegar na final, são sete jogos. Setecentos reais investidos que viram mais de R$ 1.300 em cinco anos com a taxa nesse nível. O Brasil pode até perder, mas seu dinheiro agradece.

VAMOS COMEMORAR COM CALMA

Sim, meu amigo, a Copa é ótima pra alguns setores, é praticamente neutra pra economia como um todo, e pro seu bolso ela vai ser exatamente aquilo que você decidir que ela seja.

O futebol em si nunca quebrou ninguém. Entrar em agosto com dívida de cartão, aposta perdida e parcela de TV por causa de um mês de festa, isso sim quebra.

Eu vou assistir aos jogos com a minha família. Vou assistir, vou torcer, vou comer churrasco. E vou fazer tudo isso dentro do meu limite, porque festa boa é a que não vira um velório depois.

Então vamos nos desesperar com calma: define o teto, paga à vista, foge do rotativo e transforma pelo menos um pedaço dessa empolgação em investimento.

Se esse vídeo te ajudou, compartilha com aquele amigo que já comprou três camisas e ainda quer trocar de TV. Comenta aqui embaixo até onde você acha que o Brasil vai na copa.

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