Menu

ALERTA DE PEGADINHA! A verdade sobre o MEI de R$ 140 mil

D

Tá liberado pegar empréstimo e não pagar? Abriram a torneira da gastança. Do governo a gente já sabia, ano eleitoral, é sempre assim. A novidade da vez é a mensagem, o governo acabou de fazer uma coisa que nunca tinha feito. 

Pela primeira vez, em vez de socorrer quem só quem deixou de pagar, ele resolveu olhar pra quem paga as contas em dia. É o tal Desenrola Adimplentes.

Por que de repente o bom pagador virou prioridade, faltando poucos meses pra eleição? Olha, se você paga seus boletos certinho, esse vídeo aqui é pra você.

QUEM PAGA EM DIA TAMBÉM BATE DE LADINHO

O governo ouviu a gente. Olha o que a gente falou quando ele lançou o desenrola pra quem não estava pagando.

Então o governo falou: não me diga mais nada. Quem tá pagando também vai poder parar de pagar. Será que é isso mesmo?

Calma. O nome do programa é Desenrola Adimplentes. Adimplente, você sabe, é quem paga em dia, né? Então, já pelo nome o negócio não faz sentido: desenrolar quem não tá enrolado.

O foco é o trabalhador informal. Aquele que não tem carteira assinada, não é servidor público, não é aposentado nem pensionista do INSS.

É o cara que dá seus pulos sozinho, paga os boletos, e mesmo assim hoje enfrenta juro de 6% a 12% ao mês quando precisa pegar dinheiro emprestado. Pra você ter uma base, 12% é o que você ganharia investindo, só que AO ANO. Líquido, livre de impostos. É realmente um absurdo, né?

O que o programa faz é trocar essa dívida cara por uma nova, com teto de 1,99% ao mês.

Sim, você entendeu direito: se você não tava pagando, poderia ter um “perdoai até 90% das nossas dívidas” lá no Desenrola anterior. Mas se você tá pagando certinho, não tem essa não: no máximo diminui os seus juros.

Afinal, nenhuma boa ação fica sem punição nesse país. Tô curioso pra saber o que você pensa desse incentivo reverso nos comentários.

Mas enfim, pra entrar, você precisa ter uma dívida de crédito pessoal que não seja consignado, com pelo menos quatro parcelas já pagas, em dia ou no máximo 90 dias de atraso. A MP deixa de fora, por exemplo, rotativo do cartão, cheque especial, crédito rural e operações com garantia real.

E a dívida tem que ser de até 15 mil reais por banco.

Funciona assim. O acordo mata a véia e pega uma novinha. Quita a dívida velha e abre uma nova operação. 

A parcela nova tem que caber em no máximo 90% da parcela antiga. E se você tá pagando certinho, acende uma luz maligna no governo que diz: ué, tem algo errado. Cabe mais crédito, entucha mais dívida no caboco.

Ainda dá pra pegar um crédito extra de até metade do saldo, desde que a parcela continue dentro desse limite.

Aí você pensa assim: então basta que uma assinada de um governante para que se baixem os juros, a fórceps? E se for, por que só agora, né? Deviam ter feito muito antes.

Me lembrei até do episódio do Chaves, que o rei proibia de chover nas quartas feiras.

Que é o dia que ele gosta de cavalgar.

Porque o ponto é: só falta combinar com os russos. Digo, com os bancos. Será que eles topam?

Claro que não curtiram, né? 

Mas o governo foi lá e lançou mesmo assim. Isso porque ele tem bancos pra chamar de seu, afinal.

Quem opera isso, por enquanto, é Caixa e Banco do Brasil. Os bancos públicos, claro.

E também porque estamos a praticamente 3 meses da eleição, meu caro amigo dinheirudo. Que Deus nos ajude, né? Inclusive a não perder umas amizades, já que definitivamente não vale a pena ficar brigando por político.

E a partir daqui a lei proíbe esse tipo de populismo aí.

Mas enfim, quem garante o calote, se o cara não pagar? O Fundo Garantidor de Operações. Que é dinheiro público.

Deixa eu explicar esse fundo. O FGO funciona como um seguro bancado pelo governo. Se o trabalhador não pagar, o banco não toma o prejuízo sozinho. 

Nesse caso, o fundo cobre metade das primeiras perdas e garante a operação.

Ou seja, o banco empresta quase sem risco, porque o risco foi passado pra você, contribuinte, sem você assinar nada.

Tem mais uma regra que vale você saber. O prazo da dívida nova segue o prazo que faltava da antiga, mas pode esticar um pouco.

Até seis meses a mais pra quem tinha dívida longa, acima de dois anos. Parcela menor, prazo maior. Brasileiro adora, mas você sabe, prazo esticado é mais tempo pagando juro.

Olha o tamanho da brincadeira: o governo separou 4 bilhões de reais pra isso. Sendo 3 bilhões pro Desenrola Adimplentes e 1 bilhão pra uma linha do Fies.

Guarda esse número de 4 bilhões, que a gente já volta nele.

VAMOS FAZER A CONTA NA PRÁTICA

Bora pra uma simulação pra você sentir o impacto.

Imagina o João, trabalhador informal, que pegou 10 mil reais emprestado a 8% ao mês. Juro de informal mesmo. O cara não tem como comprovar renda, e o banco torce a faca. Já sabe, né? Mais risco, mais juro. Não é a toa que a Selic tá esse tantão: até o governo paga mais juros, cada vez que se endivida mais. Que inclusive é o paradoxo dessa medida do governo, jajá a gente fala mais disso.

A 8% ao mês, a dívida dele vai pra 25 mil em um ano. É uma bola de neve que não para de rolar.

Agora joga essa mesma dívida pra 1,99% ao mês. No final de 12 meses, dá “só” 12700. É cavalar a diferença.

Na ponta do lápis, o João pode economizar centenas de reais por mês só na diferença de juro. Pra quem ganha pouco, isso é comida na mesa.

Olha só. 10 mil reais a 8% ao mês são 800 reais de juro logo no primeiro mês. A 1,99%, são cerca de 200 reais.

Olha que diferença: 800 contra 200. Só no primeiro mês, sobram 600 reais no bolso da família, só de não pagar juro de agiota disfarçado de crédito.

Então sim, pra quem está com a corda no pescoço, a medida alivia muito. O problema é que no Brasil as pessoas acham que tudo ou é 100% bom ou 100% ruim. Eu tenho a obrigação de mostrar para você os dois lados da moeda.

O Desenrola já existe desde 2023. E o que aconteceu com a inadimplência desde então?

Subiu. O Brasil bateu 83,5 milhões de pessoas com nome sujo em maio desse ano. Recorde da série histórica da Serasa.

O primeiro Desenrola atendeu mais de 15 milhões de pessoas. E mesmo assim o número de endividado não parou de crescer.

Por quê? Porque renegociar dívida não ensina ninguém a parar de se endividar.

É enxugar gelo. Você limpa o nome hoje e a pessoa volta a dever amanhã, porque a raiz do problema continua intacta.

E a raiz é o que quase ninguém quer encarar: juro alto, inflação corroendo o salário e gente pegando crédito caro pra fechar o mês. Como rotativo do cartão ou cheque especial.

QUEM PAGA A CONTA

E falar em raiz do problema me leva direto pro motivo desse canal existir. E de você ser inscrito aqui no canal com o sininho ativado e tudo. Inclusive, muito obrigado pelo seu like, pela sua confiança, que tanta ajuda aqui o nosso canal.

Voltando pros 4 bilhões de reais. De onde sai esse dinheiro?

Sai do mesmo lugar de sempre. É tudo no nosso, né?

O governo classificou esse gasto como despesa financeira. Sabe pra quê? Pra não bater na meta fiscal. Um truque de contabilidade pra dizer que não conta como rombo.

Funciona assim. Existe a despesa primária, que é a que entra na conta da meta e todo mundo fiscaliza. E existe a despesa financeira, que escapa dessa régua.

Chamando os 4 bilhões de despesa financeira, o governo gasta e ainda diz que não mexeu na meta. É gastar pela porta dos fundos.

Mas dinheiro público é dinheiro público, com nome bonito ou não. E dinheiro jogado na economia a fórceps, sem a gente estar produzindo mais, tem potencial sempre de gerar mais inflação. 

Na economia tem um preço básico pro dinheiro: a taxa de juro básica, a Selic. Hoje ela tá em 14,25% ao ano.

Tem uma razão pra selic estar tão alta. O Banco Central segura ela lá em cima justamente pra segurar a inflação.

Aí chega o governo e faz o contrário. Subsidia juro de 1,99% no varejo pra estimular as pessoas a consumir e pegar crédito.

É um puxando o freio e o outro pisando no acelerador. No mesmo carro.

Quando o governo faz isso, ele enfraquece o trabalho do Banco Central. E o custo de combater a inflação fica mais caro pra todo mundo.

E o mercado já acendeu o alerta. O banco JPMorgan leu o pacote como notícia ruim pros bancos. Sem contar o chamado “risco moral””, que é o seguinte: você já deve ter ouvido uma história assim. 

O cara é todo atrapalhado com dinheiro, gasta mais do que deve. Mas sempre vem um parente, o pai, a mãe, e salva o cara.

E justamente por isso o cara nunca pega no tranco. Conta aí nos comentários se você conhece alguém assim.

O risco moral é a mesma coisa no Desenrola Adimplentes: se o governo vive socorrendo, todo mundo aprende a contar com o próximo socorro. Ninguém muda de hábito.

Só que no caso aqui, o pai que paga a fatura é o Tesouro. E o dinheiro do Tesouro, de novo, é o seu.

E os analistas lembram de uma coisa simples que o governo finge não ver.

O juro pro brasileiro é alto porque o risco fiscal do país é alto. 

O governo gasta mais do que arrecada, a dívida pública já tá perto de 80% do PIB, e isso empurra todas as taxas pra cima.

Se o governo quisesse derrubar o juro de verdade, de forma permanente, ele cortaria gasto. Faria o ajuste fiscal pelo lado da despesa.

Só que cortar gasto em ano de eleição é o mesmo que acreditar no coelhinho da pascoa. Ou em político honesto. Lançar programa bonito é o que dá voto.

E isso não é de hoje, nem é de um lado só. Toda véspera de eleição o governo da vez abre a torneira de bondade. Já foi assim em 2014, já foi assim em 2022, e a conta dessas bondades sempre vence depois da eleição.

Quem paga não é o presidente que ganhou o voto. É a gente, no ano seguinte, com mais imposto, mais inflação ou mais dívida.

Então é mais fácil maquiar o sintoma do que tratar a doença. E eleitor brasileiro adora atalho, caminho mais fácil.

Por isso que esses perfis no Instagram de cara que vende dinheiro fácil, que ficou rico com Day Trade, Rifa, Bet, tá todo mundo com milhões de seguidores e a gente tá aqui fazendo o nosso trabalho duro de falar para as pessoas a parte difícil da vida.

Mas é a única coisa que pode construir um futuro melhor para a sua família, né? É uma verdade inconveniente. 

TEM MAIS UMA COISA

E junto do Desenrola veio um irmão mais novo: o Fies Empreendedor. Pra alegria lá daquele meu amigo que pagou o fies certinho, do começo do vídeo.

Funciona assim. Quem se formou usando o Fies, pagou as últimas 36 parcelas em dia e não renegociou nesse período, ganha acesso a uma linha de crédito pra abrir o próprio negócio. 

E olha o juro: 0,87% ao mês, o crédito subsidiado mais barato do país hoje. Pessoa física pega até R$80 mil, empresa até R$180 mil, com seis meses de carência pra começar a pagar. 

O governo separou R$1 bilhão só pra isso e estima atingir de 50 mil a 125 mil formados. A lógica é premiar quem paga em dia. 

E a ressalva também é a mesma, viu? É crédito subsidiado de novo, garantido pelo Fundo Garantidor de Operações, que é dinheiro público. A intenção até é boa, ajudar o jovem que se formou com dificuldade a empreender. Mas continua sendo o governo bancando juro baixo na ponta, em vez de baixar o juro de todo mundo cortando o próprio gasto.

VOCÊ APOSTARIA NISSO?

Por falar nisso, pra pegar esse crédito mais barato, o trabalhador tem que aceitar uma contrapartida.

Ele tem que travar o próprio CPF nas casas de aposta. Seis meses de autoexclusão das bets, conforme o próprio ministro da Fazenda falou no anúncio.

O governo está oferecendo juro camarada, mas só se você prometer não jogar na bet por meio ano.

Quem acompanha o canal sabe que eu bato nessa tecla faz um tempão. 

As bets quebram as famílias. Eu já recebi mensagem de gente que perdeu tudo apostando. Até a vida.

Já dei palestra pra empresa multinacional falando disso. É uma praga que está em todo o lugar.

Eu falei disso nesse vídeo anterior aqui, inclusive, sobre como as Bets ultrapassaram todos os limites nessa Copa do Mundo.

Então no fundo o próprio governo está admitindo uma coisa: a aposta e o endividamento andam de mãos dadas.

Se a bet fosse inofensiva, ninguém precisaria proibir pra liberar crédito, concorda?

É o detalhe sujo dessa história toda. A própria turma que faz política pública sabe que parte do salário do brasileiro tá indo embora na roleta da bet.

Tanto sabe que transformou isso em condição pra dar o desconto. Funciona quase como um pedágio: trava a aposta, libera o juro baixo.

Eu acho válido travar a bet. O que eu acho estranho é precisar de um programa de crédito subsidiado pra alguém parar de apostar por seis meses.

O QUE FAZER COM ISSO NA SUA VIDA

Beleza, William, e eu com isso? Vou te dar o lado prático agora.

Primeiro: se você tem uma dívida cara, de 6%, 8%, 10% ao mês, e se encaixa na regra, vai lá e troca. Pega o juro de no máximo 1,99%. A gente falou de ideologia aqui, do lado do governo, se isso é bom ou não pro país como um todo. Mas do seu lado, trocar dívida cara por barata é só uma questão de matemática mesmo. 

Então, confere se você se encaixa: tem que ser informal, sem carteira assinada, com uma dívida de crédito pessoal que não seja consignado, de até R$15 mil, com pelo menos quatro parcelas já pagas e no máximo 90 dias de atraso. Bateu com o seu caso? Então o caminho é procurar a Caixa ou o Banco do Brasil, que são os dois bancos que estão operando o programa por enquanto.

Segundo: compara as ofertas dos bancos antes de fechar. O teto é 1,99%, mas você pode achar coisa melhor. Não aceita a primeira proposta.

Terceiro, e esse é o mais importante: não pega o crédito extra que eles oferecem só porque tá fácil.

Lembra que o programa libera até 50% a mais de crédito? Essa é a casca de banana. Você entra pra quitar dívida e sai devendo mais, achando que se deu bem.

Repara que o governo gastou 4 bilhões pra baixar o juro de quem deve. E nunca, em vídeo nenhum, ele gasta um real pra te ensinar a virar o jogo e receber juro.

O Desenrola te coloca de um lado. Aprender a investir te coloca do outro. E ninguém vai fazer essa virada por você a não ser você mesmo. seja bem vindo a se inscrever por aqui e assistir o que as bets estão fazendo nessa copa, destruindo famílias brasileiras.

0:00
0:00
Written By

Leave a Reply

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *