O Brasil quebrou?
Essa pergunta voltou com força essa semana, e tem um motivo bem concreto por trás dela.

O governo brasileiro tá pagando o maior juro da história recente pra pegar dinheiro emprestado com você.
Ontem, um título do Tesouro abriu pagando 8,56% de juro acima da inflação. Recorde da série desse papel.
Quando o governo aceita pagar tão caro assim, é sinal de que tem muita gente desconfiada das contas dele. E essa desconfiança mexe com a economia inteira, e com o seu bolso também.
Mas presta atenção, porque tem o seu lado da história. Quem comprar esse título e segurar até o fim pode quase dobrar o dinheiro em seis anos.
É muita coisa. E essa janela pode fechar rápido. Bora entender direitinho?
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E se você ainda tem dinheiro parado na poupança, presta atenção em dobro, que eu vou te mostrar o tamanho do estrago.
AFINAL, O BRASIL QUEBROU?
Dinheirudo, a coisa tá feia. Olha só.

A dívida bruta do governo já passou de 80% de tudo que o Brasil produz num ano, algo perto de 10 trilhões de reais.
Lá em 2013 essa dívida tava em torno de 50% do que o país produz. Em pouco mais de dez anos ela saltou pra mais de 80%. Cresceu rápido.
E só de juro dessa dívida, segura essa, o governo torrou mais de 1 trilhão de reais em um ano. Algo como 8% de tudo que o país produz.

Isso nunca tinha acontecido.

Foi a primeira vez na história que a conta de juro passou de 1 trilhão em doze meses.
Pensa no tamanho disso. Essa conta de juro é mais que o dobro do que o Orçamento reservou pra saúde e educação juntas esse ano. Indo embora só pra pagar a dívida.
E quem recebe esse juro gordo emprestando dinheiro pro governo é o mercado financeiro, os bancos, os grandes investidores. Tudo bancado com o imposto que sai do seu bolso. Dureza né?
Vamo devagar que eu to com pressa. Aí você me pergunta. William, e o que isso tem a ver comigo, que nem invisto em título do governo?
Tem tudo a ver. Quando o juro do governo sobe, o juro de todo mundo sobe junto.
O financiamento da sua casa fica mais caro. O empréstimo da empresa fica mais caro. O cartão, o parcelamento, o cheque especial, tudo sobe.
E a empresa que ia investir, contratar, abrir uma fábrica, acaba pensando duas vezes. Por que arriscar no negócio se dá pra deixar o dinheiro rendendo fácil nesse jurão?
Isso trava o crescimento do país. Menos investimento, menos emprego, uma economia que não cresce direito.
E ainda tem o efeito bola de neve. Juro alto incha a dívida. Dívida inchada deixa o mercado ainda mais desconfiado. Mercado desconfiado cobra um juro ainda mais alto. E roda de novo.
Tem economista que diz que o problema central é o gasto do governo fora de controle. Corta gasto, organiza a casa, e o juro cai sozinho.
E tem economista que diz o contrário, que o próprio juro alto é que engorda a dívida, e que dava pra cortar a Selic mais rápido. Os dois lados têm gente séria e bons argumentos.
O que ninguém discute é o tamanho da conta. Ela é colossal.
E é bem desse aperto todo que nasce uma chance pro seu bolso. Porque pra te convencer a emprestar dinheiro pra um país que o mercado anda olhando torto, o governo precisa te pagar muito bem.
É essa a oportunidade que tá na mesa agora. E eu separei o resto do vídeo em três perguntas simples.
Quanto esse título rende de verdade. Por que a taxa explodiu logo agora. E o que você faz com isso na prática.
Vamos nos desesperar com calma.
O QUE É ESSE TAL DE JURO REAL
Primeiro o básico, pra ninguém ficar perdido.
O Tesouro IPCA+ é um título do governo. Você empresta dinheiro pra ele, e ele te devolve lá na frente com juros.
O 2032 no nome é só o ano em que o título vence. É a data em que o governo te devolve tudo, o que você botou mais os juros combinados.
A diferença desse título é que ele paga duas coisas juntas. Ele paga a inflação do período, mais um juro fixo por cima. Isso se você esperar a até 2032, tá? Vender antes até dá, mas pode dar ruim. Ou pode dar bom. Calma, guarda isso aí na manga.
Esse juro por cima é o que o pessoal chama de juro real. É o ganho que sobra depois que a inflação já foi descontada.
Pensa assim. Se a inflação no ano for 5%, e o título paga IPCA mais 8,56%, o seu dinheiro renderia 13,56% naquele ano. Só pra ficar mais fácil de você entender, tá? Como é juros sobre juros, daria uns 14% na verdade.
Ou seja, cinco pra repor a inflação, e o resto de ganho de verdade no seu bolso. Ou quase, porque tem o imposto de renda no final, mas você entendeu.
Então quando você lê IPCA mais 8,56%, entende assim. Seja qual for a inflação, o seu dinheiro vai render 8,56% acima dela. Todo ano, até o vencimento e só se você levar até o vencimento.
Isso é bem diferente da poupança e de muito CDB por aí, que às vezes mal cobre a inflação e te deixa correndo pra ficar no mesmo lugar.
Com o IPCA+, não importa se a inflação disparar lá na frente. O seu ganho acima dela já tá contratado. É essa a beleza da coisa.

Olha no gráfico na tela como essa taxa subiu rápido do dia 15 pra cá.
QUANTO RENDE DE VERDADE
Agora a parte que interessa de verdade. Quanto isso vira de dinheiro no fim.

Pega R$10 mil e bota nesse título de 2032, que vence daqui a seis anos.
Vou destrinchar a conta pra ficar claro. Durante seis anos, esse dinheiro rende a inflação mais 8,56% ao ano, e os juros vão compondo, juro em cima de juro.
No fim, já descontado o imposto e as taxinhas, você teria quase R$19.900. Ou seja, perto de dobrar o que você colocou. Dez mil reais virando quase vinte mil, em seis anos, num título do governo.
Detalhe: essas simulação do Seu Dinheiro é pra 8,23. Olha como fica para IPCA+ 8,5, olha só.

Todo bugado o site do tesouro, mas dá pra ver mais de 20 mil reais, R$20.226 você tiraria no final. É mole?
Ah, mas daqui a 6 anos, isso não vai valer nada! Tem a inflação. Meu amigo, se ela dispara, seu retorno vai acompanhar, porque, lembra? É inflação MAIS 8 e meio por cento.
E se você pensar em R$100 mil, que é mais a realidade de quem já juntou um patrimônio, é a mesma proporção. Vira perto de R$199 mil no vencimento.
Imagina o Roberto, 42 anos, que juntou um dinheiro com muito esforço e deixou tudo parado na poupança com medo de errar. Em seis anos, escolhendo o lugar certo, ele teria milhares de reais a mais. A diferença toda veio de uma escolha simples, não de sorte.
Os mesmos R$10 mil na poupança, no mesmo período, dariam só uns R$15.250. Bem menos, mesmo a poupança não pagando imposto.
A diferença passa de R$4.600 indo pro seu bolso, só por você escolher o lugar certo de guardar. É mole?
Veja bem, o óbvio precisa ser dito. Se precisa de liquidez, ou seja, se é dinheiro para o curto prazo, o título é outro, tá? O Tesouro SELIC, que inclusive também rende a mais que a poupança, pode sacar quando quiser e não tem risco de prejuízo. Ou o Tesouro Reserva, novinho em folha, que a gente falou nesse vídeo aqui.
E não é só a nossa mãe que coloca filho esperto no mundo não. Muita gente já percebeu.

As compras desse título quase triplicaram em junho. Teve dia em que mais da metade de tudo que foi vendido no Tesouro Direto foi só nesse papel. Que coisa, não?
POR QUE A TAXA EXPLODIU AGORA
A gente já viu que o pano de fundo é a desconfiança com a dívida. Mas teve uma coisa estranha nas últimas semanas que vale destrinchar.

Olha que curioso. Semana passada, o Banco Central cortou a Selic pra 14,25%. Juro básico caindo, na teoria, deveria empurrar a taxa dos títulos pra baixo também. Aconteceu o contrário.
As taxas dos títulos subiram. O IPCA+ 2032 bateu recorde poucos dias depois do corte.
Por quê? Porque o mercado não acreditou muito nesse corte.
O recado que ficou foi mais ou menos esse. O Banco Central até cortou, mas a inflação anda teimosa e as contas do governo preocupam.
Pensa numa coisa do dia a dia. Se um amigo seu tá enrolado com as contas e te pede dinheiro emprestado, você vai querer cobrar mais juro dele, porque o risco de não receber é maior. Com o governo, é a mesma lógica.
Tem a briga do orçamento, tem pressão por mais gasto em ano eleitoral do outro lado. Cada vez que isso aparece, o investidor fica mais desconfiado.
E quando o investidor desconfia da conta pública, ele faz uma coisa só.

Exige um prêmio de risco maior pra emprestar dinheiro pro governo.
Quanto mais medo da dívida pública, mais alto o juro que o Tesouro tem que oferecer pra você topar comprar.
E não custa lembrar de uma coisa. Esse juro gordo que o governo paga, no fim, quem banca é você, com imposto.
Pra você ver o tamanho do pessimismo, olha o Boletim Focus dessa semana.
É uma pesquisa que o Banco Central faz toda semana com o mercado todo. E foi a décima quinta vez seguida que os economistas pioraram a previsão de inflação.

A inflação esperada pra esse ano subiu pra 5,33%, bem acima do teto da meta do governo, que é 4,5%. Acho que era isso que a dilma queria dizer sobre “dobrar a meta””.

E a Selic, que muita gente achava que ia cair mais, agora deve fechar o ano em 14%, com espaço pra só mais um cortezinho.
Lá fora também pegou fogo.

O novo presidente do banco central americano deu um tom mais duro e falou que pode até subir juro pra segurar a inflação por lá.
E quando o juro americano sobe, o nosso costuma subir junto. Os títulos brasileiros são precificados quase na hora.
A JANELA PODE FECHAR
Agora, por que tanta gente tá dizendo que essa é uma janela que pode fechar?
São dois motivos. E o segundo envolve até guerra no Oriente Médio, presta atenção.
O primeiro é simples. Taxa alta desse jeito é rara. A XP olhou os dados desde 2011 e viu que juro real acima de 7,5% só apareceu em menos de 10% do tempo.

O segundo motivo é mais quente. Semana passada, Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo preliminar pra encerrar a guerra no Oriente Médio.

Com a notícia, o preço do petróleo despencou quase 5% num único dia.
E petróleo mais barato ajuda a segurar a inflação aqui no Brasil, porque mexe no combustível, no transporte, em quase tudo que a gente consome.
Se a inflação ceder, o juro real desses títulos tende a cair lá na frente. E aí quem travou a taxa alta hoje se dá bem.
Existe um mecanismo chamado marcação a mercado. É uma relação inversa. Quando a taxa cai, o preço do título que você já tem na mão sobe.
Quem fixou 8,56% hoje e vê a taxa cair com o tempo pode ver o título valorizar antes mesmo do vencimento.
Por isso o pessoal fala tanto em travar a taxa. Você fixa esse juro alto agora, e se ele cair, você ganha duas vezes.
Só que, de novo, eu não vou te empurrar urgência falsa. Ninguém tem bola de cristal.
Tem analista falando o contrário. Enquanto a conta do governo não melhorar de verdade, esse juro pode continuar alto, ou até subir mais um pouco.
São três coisas que teriam que mudar pra essa taxa cair de vez. Um governo mostrando que vai controlar os gastos de verdade. O que em ano eleitoral, eu duvido que aconteça. A inflação voltando pra meta. E o cenário lá fora melhorando.
Na verdade, nenhuma das três parece perto de acontecer no curto prazo. Por isso a aposta é que essa janela siga aberta por um tempo, só que talvez com taxas um pouco menores, na faixa de IPCA mais 7%.
Então não é pra sair correndo achando que amanhã acaba. É pra entender que o patamar é raro e decidir com calma.
ONDE ISSO ENCAIXA NA SUA CARTEIRA
E é bem aqui que muita gente trava.
Saber que o título é bom é uma coisa. Saber quanto disso cabe na sua carteira, no seu prazo e no seu objetivo, já é outra história. Inclusive a parte de renda variável: porque muita gente estaciona no quentinho da renda fixa, mas esquece que uma carteira boa tem também ativos de renda variável.
E que por sinal, sofrem quando a selic tá alta. Ou seja, bom momento TAMBÉM pra comprar.
Claro, vou te falar certinho o que você deve fazer, de uma maneira geral, porque não tem como eu saber exatamente a sua condição individual, o seu perfil de investidor, os seus objetivos financeiros.
Se você quiser um trabalho individualizado, fique a vontade pra ir no primeiro comentário e marcar um papo com a minha consultoria CVM, a Lumen.
O OUTRO LADO DA MOEDA
Agora o aviso importante, porque todo investimento tem o outro lado.
Essa mesma marcação a mercado que pode te dar ganho também pode te dar susto.
Se você comprar hoje e precisar vender o título antes do vencimento, num momento em que a taxa subiu, você pode resgatar valendo menos do que botou.
Pra você ter ideia do tamanho do balanço, a XP fez uma conta com um título bem longo, o de 2060.

Se o juro real cair de 7% pra 5%, esse papel pode valorizar 91%. Mas se subir pra 9%, pode amargar uma perda de 47%.
Olha o tamanho da variação. Isso num título de renda fixa, que muita gente acha é fixa.
A regra de ouro é essa. Se você levar o título até o vencimento, recebe certinho a taxa que contratou, aconteça o que acontecer no meio do caminho.
O problema é só pra quem é obrigado a vender no meio. Por isso esse dinheiro não pode ser o da sua reserva de emergência.
NA PRÁTICA, O QUE FAZER
Então bora pro que importa de verdade. Como usar isso sem fazer besteira.
Primeira coisa. Alinha o prazo do título com o seu objetivo.
Se você vai precisar do dinheiro daqui a seis anos, o de 2032 encaixa. Se é mais pra frente, tem 2040, 2050, 2060.
Quanto mais o vencimento bate com a data que você vai usar o dinheiro, menor a chance de você ter que vender no susto.
Segunda coisa. Não joga tudo de uma vez, nem coloca tudo no mesmo papel.
Dá pra diluir a compra em alguns aportes e misturar prazos diferentes. Assim você não fica refém de uma taxa só.
Antes de comprar, entra no site do Tesouro Direto e confere a taxa do dia. Esse 8,56% é de ontem e muda todo pregão.
No fim das contas, o que tá rolando é o seguinte.
O governo tá pagando um dos maiores juros reais dos últimos anos pra você emprestar dinheiro pra ele. E paga caro porque o mercado anda desconfiado da conta pública.
Pra você, que junta dinheiro com muito suor, isso vira uma chance rara. Dá pra travar um ganho alto e ainda blindar o seu patrimônio da inflação.
Não precisa correr feito doido. Precisa entender, decidir com calma e botar o dinheiro no prazo certo.
E se você quiser entender mais sobre esse efeito de multiplicar o seu dinheiro, até dobrar no Tesouro IPCA, muito antes do vencimento do titulo, é esse vídeo aqui que você tem que assistir.
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