Alguém precisa falar do elefante na sala. As bets agora na Copa do Mundo passaram de todos os limites. Morais já não tinha, agora Legais também. Como é o caso da Cazé TV, que tá no meio da maior polêmica sobre Bets agora na copa.
No meio do jogo, aparece um QR Code te chamando pra apostar.
Parece inofensivo, né? Pois é bem aí que mora o problema.
Hoje eu vou te mostrar o tamanho dessa roubalheira legalizada, quem tá faturando, quem tá quebrando, e por que eu nunca vou te empurrar uma desgraça dessa.
O QR CODE NO MEIO DA COPA
Você viu o que rolou essa semana?
No meio do jogo do Brasil contra a Escócia, que terminou em 3 a 0 pra gente,

o governo abriu uma investigação contra a CazéTV.
Quem abriu foi a Secretaria Nacional do Consumidor, que é ligada ao Ministério da Justiça. Eles querem apurar a forma como a CazéTV vem divulgando bets durante a transmissão dos jogos da Copa.
Sim, a CazéTV, o canal do Casimiro.

É o único que transmite todos os 104 jogos do Mundial de graça, ali no YouTube. Virou um fenômeno gigante, e merece o sucesso.
Honestamente? Propaganda de Bet tá em todo lugar. Na globo, sbt. E nem a desculpa do “de graça” cola, tem até em canais pagos também.
Mas no meio dessa transmissão da Cazé, as coisas foram, digamos, levadas, supostamente, até o limite da lei.
Aparecendo QR Code na tela, e pedindo pra você apostar ali, na hora, durante o jogo.
O despacho do governo cita três casos. Em transmissões de Uruguai e Cabo Verde, Argentina e Áustria, e Inglaterra e Gana.

Num deles, o comentarista chamou a aposta de segunda chance, como se fosse uma vantagem pro apostador. E aí, acha que é sacanagem isso?
E o Casimiro respondeu de um jeito bem torto. Ele falou que não tem muito o que fazer, que é o que faz girar o negócio. Mas que ele acha que não prejudicou ninguém, olha só.
Guarda essa frase, porque a gente vai voltar nela daqui a pouco.
O QUE A LEI DIZ QUE NÃO PODE
Aí você me pergunta: mas William, isso é ilegal? Calma, que aqui tem detalhe importante.
A propaganda de bets no Brasil é regulada por uma lei de 2023, a 14.790, e por uma portaria do Ministério da Fazenda.
E essa portaria, no artigo 12, é bem clarinha sobre o que a propaganda não pode fazer.

Não pode sugerir ganho fácil. Não pode te encorajar a apostar demais. Não pode te chamar pra apostar naquele instante. E não pode te enfiar na cabeça que entender de futebol aumenta a sua chance de ganhar.
Sim, meu amigo, a merda acontece quando você acha que pegou a manha. Experiência aqui não conta absolutamente nada, é um jogo de azar.
E puxando aqui para o nosso lado, é impressionante de ver como funciona exatamente no day trading, que é comprar e vender ações no mesmo dia.

Os estudos mostram exatamente isso, não importa o grau de experiência da pessoa. Sempre é um jogo de azar que piora muito quando a pessoa acha que descobriu ou quando ela tenta continuar jogando ou apostando para recuperar o dinheiro perdido.
Olha que interessante. Boa parte das ações que aparecem na transmissão esbarra justamente nesses pontos.
Por isso o governo abriu a apuração. Ainda é uma fase preliminar, ninguém foi condenado, e a CazéTV nega qualquer irregularidade, dizendo que segue a lei e só trabalha com casa autorizada.
Mas o recado tá dado. E vale pro mercado inteiro, não só pra CazéTV.
SETE POR CENTO QUE VIRA DOIS BILHÕES
Agora vamos falar de dinheiro, que é o que a gente gosta aqui.

A CazéTV faturou cerca de 2 bilhões de reais só com os patrocínios da Copa. Cada cota máster foi vendida por 185 milhões de reais. É muito dinheiro.

E entre os patrocinadores, lado a lado com Coca-Cola, Itaú, Mercado Livre e Vivo, tem três casas de aposta. Que eu me recuso a falar o nome aqui.
Sim, geralmente na TV, quando se fecha o patrocínio dentro de um evento, é claro que tem exclusividade dentro daquele setor. Não tem dois bancos dentro do futebol da Globo, por exemplo.
Mas o oba oba das apostas é tão grande que as empresas de bets aceitam dividir o espaço e mesmo assim faturam milhões e milhões com essa história.
Aí você entende a frase do Casimiro. É o que faz girar o negócio. Siga o dinheiro. Na verdade, um dinheiro sujo, né? Porque é como se fosse um Robin Hood às avessas, porque tira dinheiro dos pobres e dá para os ricos.
A bet virou sustentação de receita pras emissoras. Tira a bet da jogada, e uma fatia gorda do faturamento some.
De novo, não é exclusividade da CazéTV. Tem a Globo no mesmo barco, tem clube de futebol, tem camisa de time, tem nome de estádio.
Tem pessoas famosas que nem precisariam desse dinheiro e que divulgam essa desgraça para as pessoas. Seguidores que confiaram nelas e que sem elas não seriam nada na vida. Já já eu vou falar disso.
Está em todo lugar. No Brasileirão, todos os times da primeira divisão, têm patrocínio de casa de aposta hoje.
Quer dizer, o futebol que você ama, em boa parte, é financiado pelo dinheiro que sai do bolso de quem aposta e perde. Muita sacanagem, né?
MAIS QUE O ARROZ, MAIS QUE O DOBRO DO FEIJÃO
Eu não sei se caiu direito a ficha sua do tamanho da coisa que a gente tá falando aqui.

30 bilhões por mês. Em três anos, o gasto das famílias com bets cresceu 500%.

Saiu de quase zero e passou de 30 bilhões de reais por mês em março desse ano.
Olha que bizarro:, antes mesmo da febre das bets, o IBGE já mostrava que a família brasileira gastava mais com jogos e apostas do que com arroz. Lá em 2020.
E mais com fumo do que com verduras e legumes. Se você tinha alguma dúvida de que brasileiro gosta de levar fumo, agora não precisa ter mais.
Ou seja, tem brasileiro tirando comida do prato pra botar no aplicativo de aposta.
Quando eu falei de Robin Hood, olha se eu não estou certo. Repara quem mais aposta.
Oito em cada dez apostadores são das classes C, D e E. Quem tem menos é quem mais cai no risco de ficar com menos ainda.
Só num único mês, cinco milhões de pessoas que recebem Bolsa Família mandaram dinheiro pra bet pelo Pix.
A DOENÇA QUE TEM NOME
E aqui a conversa fica pesada. Porque deixa de ser um joguinho, uma diversão. Virou Saude, mesmo, ou melhor, DOENÇA.
Tem um nome pra isso, e é doença de verdade, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Chama ludopatia.
É o vício em jogo. Olha só onde a gente chegou:

Já é a terceira dependência mais comum no Brasil, atrás só do álcool e do cigarro.
Só no primeiro semestre do ano passado, quase 18 milhões de brasileiros apostaram. Dezoito milhões de pessoas expostas a esse risco.

A aposta mexe no seu cérebro igualzinho a uma droga. Libera dopamina, dá aquela euforia, e a pessoa volta atrás da próxima fezinha.

Um Estudo da USP estima que o Brasil já tem cerca de dois milhões de viciados em jogo online. Lembra da pandemia, que congestionou o sistema de saúde por muita gente procurar atendimento ao mesmo tempo?
Pois é, a gente tá vivendo exatamente isso agora, uma nova epidemia. E, ao contrário do que pode aparecer, também envolve vidas. Peço atenção sua aí, porque o que a gente vai falar agora é muito sério.
É de embrulhar o estômago.
Um estudo do IEPS, que é um instituto de políticas de saúde, calculou o custo social das apostas no Brasil. Deu 38,8 bilhões de reais por ano.

Desse total, 17 bilhões de reais estão ligados sabe a que? A mortes por suicídio. Dezessete bilhões.

Mais 13,4 bilhões para depressão e outros 10 para perda de qualidade de vida.
Enquanto isso, o governo arrecada de imposto com as bets pouco menos de 7 bilhões no mesmo período.

Faz a conta comigo. Pra cada um real que entra de imposto, a sociedade gasta quase seis pra remediar o estrago. Esse é o tal negócio que faz girar a economia.
E aqui eu preciso te falar uma coisa de coração.
Eu fiz um vídeo sobre bets há um tempo, e depois dele eu recebi relato de gente que perdeu pessoas da própria família. Gente que tirou a própria vida por causa de dívida de aposta. Tá aqui pra você ver depois.
Se você, ou alguém perto de você, tá nessa espiral, procura ajuda. O CVV atende no 188, de graça, vinte e quatro horas por dia.
Tem o jogadores anônimos também, pra você contar, como se fosse o trabalho que o AA , os alcoolicos anonimos, fazem:

Olha aí os 12 passos deles, pausa a tela pra você ler depois.

E até o SUS já tem atendimento pra quem tá viciado em aposta.

O CACHÊ DA DESGRAÇA
Agora vamos pro ponto que mais me revolta. A ética disso tudo.
Tem influenciador gigante, que já tem mais dinheiro do que vai conseguir gastar na vida, empurrando bet pro seguidor que vive de salário mínimo.
E o pior nem é divulgar. É a forma como eles ganham pra divulgar.
A Virgínia, por exemplo. Uma reportagem da revista Piauí mostrou que ela teve
contrato com casa de aposta que pagava 50 milhões de adiantamento, mais 30% em cima das perdas dos apostadores que entravam pelo link dela. Ela nega.
Aí você pode pensar comigo, que indecoroso esse lance da pessoa ganhar em cima da perda dos próprios seguidores. Então, mas mesmo se não tivesse essa cláusula, de onde você acha que vem a remuneração que ela recebe? Evidentemente que é da perda dos jogadores, correto?

De onde você acha que vem os milhões, as centenas de milhões de reais que as empresas investem na Globo, nos times de futebol e na Cazé? E o pior de tudo é a pessoa ver isso e achar que tem chance de ganhar ainda, de continuar ganhando recorrentemente da casa de aposta. Você pode até acertar uma vez, isso é muito possível, assim como jogar o cara coroa, você tem chance de ganhar. Agora tira 10 caras seguidas para você ver.
Ou seja, voltando pra ex do vini, quanto mais o fã dela quebrava, mais ela embolsava. Tem até apelido pra isso no mercado. Chamam de cachê da desgraça.

A Virgínia foi parar na CPI das Bets, lá no Senado, e precisou de uma autorização do Supremo pra poder ficar calada. Ela nega ter ganho em cima de perda, e diz que ficou rica com a empresa dela, não com bet.
E novamente, não é só ela. O nosso eventual craque na copa, o eterno menino Ney, também entra nessa.
A mesma reportagem aponta um contrato de cerca de 100 milhões de reais com uma bet.

E o Ministério Público já abriu inquérito sobre essa casa de aposta, que tem o Neymar e a Virgínia como garotos-propaganda, com mais de 42 mil reclamações de gente que se sentiu lesada.
E o pior é esse povo tentando justificar.

Como o tal do Carlinhos Maia.
Apertaram o cara por divulgar jogo. Mas ele mandou a braba: se eu disser pule do penhasco, você vai pular? E completou: eu divulgo, mas nunca joguei.
Fui dar um print dessa matéria, e olha aí, até essa bosta de site com anúncio de bet em cima.

Caraca mano, to achando que se tirar bet, o PIB do Brasil cai 50%.
Mas vamo lá, volltando no Carlinho. O cara fatura empurrando aposta, mas ele mesmo não aposta. Ele sabe. Ele sabe que é furada, e mesmo assim vende a furada pro público que confia nele.
Inclusive, Carlinhos, Virgínia e a Deolane já viraram alvo de processo de um apostador que diz ter perdido cem mil reais seguindo a indicação deles.

Quero ouvir nos comentários de quem você acha que é a culpa.
Pra mim isso tem nome bem feio. É vender o que você não usaria, pra quem confia em você, sabendo que vai prejudicar a pessoa.
Influência é responsabilidade. Principalmente se você não era ninguém e seus seguidores te fizeram mudar de vida. Parece que o travesseiro das pessoas costuma cobrar bem menos do que a gente poderia imaginar de uma pessoa que se preocupa o mínimo com o próximo.
A CONTA QUE NUNCA FECHA PRO SEU LADO
Ah, William, mas eu conheço gente que ganhou. Conhece mesmo. E é exatamente assim que eles te fisgam.
Deixa eu te explicar a matemática da coisa.

Nas bets, em média, de cada 100 reais apostados, mais ou menos 93 voltam pro bolo dos apostadores. Os outros 7 ficam com a banca.
Parece pouquinho, né? Sete por cento. Mas é aí que tá a pegadinha.
A banca fica com esses 7% de tudo, o tempo todo, em milhões e milhões de apostas. Ela não erra, não cansa e não quebra.
Você, não. Você tem um dinheiro só. Quando você perde tudo, acabou o jogo pra você.
A banca pode esperar a roda girar a vida inteira. Você não pode esperar.
Imagina assim. Você entra com 100 reais e fica reapostando. Você pode até ganhar no começo. Na verdade, as casas torcem e até tem mecanismo para que isso aconteça mesmo, para que você tenha a ilusão que está ganhando ou que descobriu a mãe da coisa.
Só que lembra da história de ficar jogando moedinha pra cima? Você pode acertar uma, duas, três vezes, mas concorda que a cada vez que você joga a moeda pra cima, a chance de continuar acertando ela diminui.
Daí que vem a diferença entre apostar e investir. Seja nas betes ou seja com o seu dinheiro também no mercado financeiro.
No investimento sério, o tempo joga a favor do seu dinheiro. Na aposta, o tempo joga contra você todo dia.
O QUE EU FAÇO E O QUE EU NÃO FAÇO
O pior de tudo é ver governante fazendo CPI, sendo que a aposta esportiva é legalizada no Brasil. O mesmo governo que diz se importar com você é o que recebe dinheiro de cada aposta, de cada perda que você tem. Embora a gente tenha visto aqui que depois os gastos com saúde pública não se pagam, não se sustentam.
Se fosse só aposta, só diversão, eu nem estaria aqui pra falar qual o problema de você, por exemplo, ir uma vez num cassino de Las Vegas e jogar? Eu mesmo já fiz isso, já perdi 100 dólares lá.
A grande questão é que eu perdi dinheiro e sai rindo. E do meu lado eu pude olhar, e é muito triste, principalmente a gente ver muitas mulheres jogando. É fácil de você ver quem é o jogador e quem é o viciado. O jogador está rindo e o viciado não tem graça nenhuma. É igual o viciado em droga, ele só joga pra manter o vício.
Muitas vezes a pessoa que está ali, ela já perdeu tudo, já perdeu dinheiro, já perdeu casa, já perdeu até a família. Talvez continua jogando na expectativa inútil de tentar recuperar o prejuízo, coisa que nunca vai acontecer.
Só que o cassino de Las Vegas é diferente, você vai lá, eu não vou voltar, inclusive aqui no Brasil eu nem posso jogar, nem se eu quisesse.
A treta é a aposta online disponível para você a todo momento ali no aplicativo, no seu celular, eventualmente você ganhando uma ou outra rodada, e o apresentador da TV ou o artista famoso te empurrando para essa cilada a cada jogo da copa.
Então, uma brincadeira, esse tipo de coisa, não tem o menor problema, eu nem estaria falando que se fosse só isso.
O problema é a indústria desenhada pra te fazer perder o controle, mirando justo em quem tem menos pra perder.
E é por causa disso que eu tomei uma decisão lá no comecinho do canal.
Eu já dei palestra dentro de empresa grande, como a Nestlé, alertando gestor e funcionário sobre o perigo das bets.
E o pior, já recebi proposta milionária pra divulgar. Mas eu tenho muito certo comigo que eu só falo daquilo que eu uso, só falo do que é bom, daquilo que eu gosto.
Esse é o trato entre eu e você. Eu não vou ganhar em cima do seu prejuízo. Nunca.
Alguns dados pra você colocar sua opinião nos comentários. De cada dez pessoas que apostam, quase nove têm dívida. São 86%. E mais da metade, 64%, já estão com o nome sujo na Serasa.
Quer dizer, a aposta que promete dinheiro fácil tá fazendo justamente o contrário. Tá enchendo o brasileiro de dívida e deixando ele negativado.
E não para no bolso. Seis em cada dez apostadores admitem que isso mexe com o emocional. Ansiedade, estresse, culpa. Culpa de quem sabe que fez besteira, mas não consegue parar.
Junta isso com a publicidade milionária, com artista e influenciador embolsando rios de dinheiro pra empurrar bet, e com um patrocínio numa escala que o Brasil nunca viu. De estádio a camisa de time, tá tudo coberto de aposta.
Esse é o tamanho do problema. E é por isso que esse vídeo aqui precisa circular.
Então faz o seguinte por mim. Compartilha esse vídeo com quem você sabe que anda apostando demais. Pode ser que você segure a pessoa antes da dívida virar bola de neve.
E vem ver o vídeo que eu falei das Bets, que teve a pessoa que entrou em contato comigo.
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