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Do KWID à SW4: Quanto você precisaria ganhar para COMPRAR UM (SEM COMPROMETER SEU FUTURO!)?


QUANTO VOCÊ PRECISA GANHAR PRA TER CADA CARRO ZERO

O CARRO QUE CABE NA PARCELA

Renault Kwid, Corolla Cross, Toyota SW4. Será que você sabe exatamente quanto você precisaria ganhar para poder comprar e manter esse carro? Digo, sem que isso engula o seu futuro?

Não tô falando só do preço da concessionária.. Digo a conta de verdade, com financiamento, seguro, IPVA, manutenção e combustível, tudo somado no fim do mês.

Eu sentei e fiz essa conta pra cinco carros diferentes, do Renault Kwid lá embaixo até a Toyota SW4 lá em cima. E os números são BEM assustadores.

Se você não quer cair numa roubada de quatro rodas, já deixa o seu like e se inscreve no canal agora. É de graça pra você e me ajuda demais a continuar trazendo conta na ponta do lápis aqui pra você.

ESCALA 1: RENAULT KWID

Bom, vou direto para a lista, no final eu trago o racional da coisa, e o que você deve fazer com tudo isso, beleza?

O Renault Kwid é vendido como o carro mais barato do Brasil. Ele começa em quase R$83 mil na versão de entrada.

Financiando 80% dele em 48 vezes, a parcela sai uns R$2.160 por mês.

Agora soma o resto. O seguro pode variar, mas vamos colocar uns R$250 por mês. O IPVA, uns R$275. A manutenção da concessionária, somando mais alguma coisa ou outra que você pode ter que mexer, vamos colocar uns R$125. E combustível pra rodar mil quilômetros no mês, uns R$470.

Junta tudo e dá perto de R$3.300 por mês só pra ter um Kwid na sua garagem.

Pela regra dos 20%, você precisaria de mais de R$16 mil líquidos por mês pra esse carro não te apertar.

Lê de novo, com calma. Dezesseis mil reais, líquidos, pro carro mais barato do país inteiro.

É por isso que tanta gente vive no aperto e nem entende o porquê.

E tem o juro, que é a parte mais cara de tudo. No fim das 48 parcelas, você vai ter pago mais de R$37 mil só de juros em cima do Kwid. Dá pra comprar um carro usado inteiro só com o dinheiro que foi embora em juros. E nem vamos considerar quanto vai estar valendo o carro lá depois de 4 anos, né?

Pensa no que esses R$37 mil fariam parados num investimento simples nesses quatro anos. Em vez de render pra você, foram render pro banco. 

ESCALA 2: O POLO

Sobe um degrau. Volkswagen Polo

Na Webmotors tem o Polo manual, perto de R$95 mil. No site da Volks só achei a versão automática, que por lá tá 113 mil.  

Mas vamos dizer que você fez um bom negócio, e levou por R$105 mil.

A parcela financiada fica em uns R$2.740 por mês.

Seguro uns R$275, IPVA uns R$350, manutenção uns R$165 e combustível uns R$520, porque o motorzinho turbo bebe um pouco mais que o do Kwid.

O total fica na faixa de R$4 mil por mês.

Renda líquida necessária pela regra: uns R$20 mil por mês.

Olha o salto que deu. Você subiu de um Kwid pra um Polo e a renda que o carro exige pulou uns R$4 mil de uma vez.

O carro que todo mundo chama de carro de classe média tá pedindo salário de classe alta. Sabia dessa?

Pra subir só uma categoria de carro, a renda que você precisa ter já cresceu um terço. E a gente nem chegou na parte cara ainda.

ESCALA 3: O COROLLA CROSS

Agora o sonho de consumo de quem subiu de vida. Ou ficou com os cabelos brancos. 

O Toyota Corolla Cross. No site da montadora, sai por módicos 192 mil reais.

Mas vamos pegar leve aqui. Na webmotors você encontra por uns 180K.

Então vamos usar esse valor

A parcela financiada já vai pra uns R$4.700 por mês.

Seguro uns R$375. IPVA uns R$600 por mês, isso mesmo, 4% de R$180 mil dá R$7.200 por ano só de imposto pra ter o carro. Manutenção uns R$210, e combustível uns R$630, porque um SUV pesa mais e gasta mais.

O total chega perto de R$6.500 por mês.

Pela regra dos 20%, você precisa de uns R$32 mil líquidos por mês pra bancar esse SUV.

Trinta e dois mil. Pra um carro que tá em todo estacionamento de shopping num sábado à tarde.

A real é que a maioria de quem dirige um desse não ganha nem metade disso. Tá pagando a diferença com o futuro da família. Vou falar disso daqui a pouco.

E repara como o imposto cresce junto com o carro. No Kwid era uns R$275 por mês de IPVA. Aqui já são uns R$600. Você não paga só o carro mais caro, paga imposto mais caro pra sempre, todo ano, enquanto ele for seu.

ESCALA 4: O HAVAL H9

A gente entra agora na zona. A Zona dos SUV grandes. O Haval H9, aquele tanque da chinesa GWM. O site da montadora manda pra comprar no Mercado livre, por apenas 335 mil. 

Mas, de novo, vamos pegar a parte otimista aqui.

Na webmotors a gente consegue achar fácil por 329 mil.

Vamos usar esse valor.

A parcela financiada já assusta de longe: uns R$8.600 por mês.

Seguro de SUV importado, com peça cara e pouca oficina, vamos colocar aqui pelo menos uns 600 por mês, mas pode sair bem mais caro. IPVA uns R$1.100. Manutenção uns R$420. E combustível uns R$840, porque ele é diesel, perto de R$7,10 o litro, e não faz milagre de consumo.

O total fica na casa dos R$11.500 mil por mês.

Renda líquida necessária: uns R$58 mil por mês.

Quase sessenta mil reais líquidos, todo santo mês, só pra bancar um carro.

Quem ganha isso e escolhe financiar um H9 já tá tomando uma decisão cara. Quem ganha menos que isso e financia tá cavando um buraco fundo.

Sem considerar que importado tem peça cara e pouca oficina que mexe. Ou seja, pode ter custo que nem estamos considerando aqui.

ESCALA 5: A SW4

Antes de chegar na parte mais importante do vídeo, fica aí, a gente chega no topo. A Toyota SW4, o sonho do empresário e do dono de fazenda, começa em R$417 mil. 

A partir de. Versão topo de linha, a Diamond,

 encosta nos R$476 mil. Deixa pra lá. Vamo no simplão mesmo.

A parcela do modelo de entrada, financiado, fica em uns R$10.900 por mês.

Seguro uns R$1.165, IPVA uns R$1.390, manutenção uns R$420 e combustível diesel uns R$840.

O total bate perto de R$15 mil por mês.

Renda líquida pela regra: uns R$73 mil por mês.

Setenta e três mil reais por mês. Pra um carro. Líquidos.

E lembra que, pra ter esse tanto líquido na conta, lá no teto da tabela do imposto de renda, você fatura bem mais que isso. 

Pra ser justo, a SW4 tem uma defesa de verdade. Ela ficou em primeiro lugar de revenda numa pesquisa da Quatro Rodas do ano passado.

 Isso é fato.

Só que segurar valor lá na frente não paga a parcela de quase R$11 mil que sangra da sua conta todo mês até lá..

POR QUE A PARCELA ENGANA

Bom, agora vamos às explicações. De onde eu tirei esses números.

Já reparou numa coisa? O carro é a coisa mais cara que a maioria das pessoas compra depois da casa própria.

Só que ele é bem pior do que a casa. O carro você compra já sabendo que amanhã ele vale menos do que hoje.

E na hora de comprar, quase todo mundo olha uma coisa só. A parcela. Cabe no meu orçamento? Se cabe, a pessoa assina e leva.

Você conhece esse filme. Aquele amigo que trocou de carro, postou foto na frente da concessionária, e uns seis meses depois já tava reclamando que o dinheiro não fecha no fim do mês. 

O problema é que a parcela é só a pontinha do iceberg.

Embaixo dela tem o seguro, tem o IPVA todo ano, tem revisão, pneu, óleo e combustível. E tem a desvalorização, que é dinheiro escorrendo do seu bolso mesmo com o carro paradinho na garagem.

Vou te mostrar de onde eu tirei esses números.

A REGRA DOS 20%

O total que você gasta com carro por mês, com absolutamente tudo dentro, não deveria passar de 20% do que cai líquido na sua conta.

Vinte por cento já é o teto. É o limite do ainda dá pra levar. 

Quem quer construir patrimônio de verdade vive entre 10% e 15%. Sobra dinheiro pra investir, que é o que de fato constrói o seu futuro, e não o carro na garagem.

Isso porque carro não é investimento. Ao contrário. Um carro zero perde uns 15% a 20% do valor só no primeiro ano. Num carro de R$100 mil, somem uns R$15 a R$20 mil, e  de repente você nem tirou o plástico do banco ainda.

Eu nem joguei essa desvalorização nas contas das escalas pra não pesar demais. 

Em todas, a conta é a mesma. Eu financiei 80% do carro em 48 vezes, usando o juro médio que o Banco Central registra hoje pra compra de carro, 

que tá em quase 28% ao ano, quase 2% ao mês.

Aí somei o seguro, o IPVA de 4% que se paga em São Paulo, a manutenção e o combustível, com a gasolina perto de R$6,60 o litro. Ou Diesel, que tá R$7,16 na média.

No fim, dividi tudo por 0,20 pra achar quanto você precisa ganhar. Os vinte por cento que eu falei, lembra?

O VERDADEIRO VILÃO

Mas repara numa coisa que se repete em todas as contas. A parcela é o monstro.

No Kwid, ela sozinha é dois terços de todo o custo. Nos SUV, ela engole quase tudo.

O grande vilão aqui é o financiamento, com esse juro de quase 2% ao mês. O carro custa caro, mas quem te quebra de verdade é o crédito jogado em cima dele.

E não cai na pegadinha de esticar o prazo pra parcela caber. Financiar em 60 ou 72 vezes faz a parcela parecer menor, mas você paga muito mais juros no total. É a loja empurrando o problema pra frente.

Em algumas condições, tem montadora fazendo bons financiamentos, com juro bem baixo. Como foi o meu caso quando comprei o meu carro, fiz um vídeo só dele, tá aqui pra você assistir depois. Inclusive vale pra você considerar se carro elétrico é pra você ou não.

Mas olha o que acontece quando você tira a parcela da conta.

O Kwid à vista custa pra manter uns R$1.100 por mês, sem considerar a desvalorização. Compara contra os R$3.300 do financiado. Dá um terço!

O curioso é o seguinte: Olha esses quase R$83 mil que você daria no Kwid. Se ficarem parados num investimento simples, rendem perto de 1% ao mês com a Selic onde ela tá hoje.

Isso dá uns R$800 por mês no seu bolso. Quase paga sozinho o custo de manter o carrinho.

Olha, eu não tô aqui dizendo pra você nunca comprar carro. Carro é ferramenta, leva o filho pra escola, leva você pro trabalho, gera renda pra muita gente.

Um seminovo de uns três anos, por exemplo, já tomou o tombo da desvalorização e sai bem mais barato que o zero. A maior parte da perda já foi paga pelo dono anterior, não por você. Muitas vezes é a escolha mais inteligente que tem.

O que eu tô dizendo é pra você comprar dentro das suas possibilidades. Carro bom é o carro que cabe nos 20% da sua renda líquida e que você compra à vista ou no menor prazo possível. É isso que separa quem tem o carro de quem trabalha o ano inteiro pro carro.

O QUE FAZER COM ISSO

Na prática, leva essas coisas daqui.

A primeira é que eu sei que a maioria dos brasileiros tá longe, bem longe de considerar tudo o que a gente falou aqui. Se colocar essa regra dos 20%, passa longe de ter um carro.

Mas eu não to aqui pra passar a mão na sua cabeça. Pelo contrário, eu penso que você se inscreveu num canal de educação financeira porque quer tomar as melhores decisões para o seu dinheiro, certo?

Não é porque a maioria faz errado que está certo. O seu futuro vai agradecer, se você não for como a maioria, que inclusive vai depender de favor de parente e do INSS na fase mais vulnerável da vida, na aposentadoria.

Então, antes de olhar a parcela, faz a conta cheia. Soma seguro, IPVA, manutenção e combustível. Esse é o custo de verdade, e não a parcela.

Se o seu carro passa muito dos 20%, talvez ele sejaé grande demais pra sua vida nesse momento. Sem drama, é só esperar a hora certa.

Eu odeio educação financeira de miséria. De cortar cafezinho, de comer meio trident, de tirar a folha dupla do papel higiênico pra usar duas vezes. Ninguém ficou rico assim.

Eu quero mesmo, de coração, que você tenha uma SW4, uma Ferrari. Mas que aquilo seja a concretização de uma vida financeira sólida, que não comprometa o seu futuro.

Tenta fugir de financiamento longo. Se não der pra comprar a vista, tenta no menor prazo que der, e deixa o juro trabalhando pra você lá no investimento, não contra você na prestação.

Faz um teste rápido com o seu próprio salário. Pega o que cai líquido na sua conta, tira os 20%, e vê qual escala da tabela cabe aí dentro. Muita gente vai descobrir que tá dirigindo uma escala acima do que o bolso aguenta.

Pensa nisso com carinho antes de assinar qualquer contrato.

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